2 julho, 2022

Mais de 2,5 milhões de carros circulam no país com defeito no airbag

Falha identificada há sete anos gerou o maior recall do mundo e provocou 27 mortes, sendo duas no Brasil. Apesar do chamado, mais de 60% dos veículos que estão com o problema ainda não foram reparados no país, que, em 2021, entra na fase de maior risco para motoristas e passageiros, segundo especialistas. Para piorar a situação, a quantidade de carros consertados cai há cinco anos seguidos e chegou ao menor nível em 2020.

Mais de 2,5 milhões de carros circulam pelas ruas de todo o Brasil com um grave defeito nos airbags, que entra, agora, na fase de maior risco. A falha gerou o maior recall do mundo e do Brasil, e atinge carros de quase 20 montadoras.

Em todo o mundo, ao menos 27 pessoas já morreram por causa do defeito e 290 se feriram. No Brasil, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça registra duas mortes.

Leonardo Marques, coordenador-geral de consultoria técnica e sanções administrativas da Senacon, explica que o período entre 2020 e 2023 representa o auge do risco de explosão dos airbags defeituosos:

“A gente pega esses anos de 2020 a 2023, são os anos que a gente vai ter que atuar com uma vigília mais intensa porque vai ser, justamente, o período em que os últimos veículos com o airbag Takata vão começar a ter essa explosão com maior intensidade, ao mesmo tempo que vai ser justamente o momento em que os veículos vão ser disponibilizados para as classes D e E. Me parece que precisamos ter um cuidado especial a partir deste ano de 2021.”

A preocupação com o defeito nos airbags aumenta com o passar do tempo. Isso porque a falha acontece quando um componente químico presente no airbag, o nitrato de amônio, se deteriora. O que causa essa deterioração é o contato com temperaturas altas e umidade elevada, condições comuns no Brasil.

Para Marques, é preciso aumentar a quantidade de carros consertados daqui para frente:

“Precisamos alertar que esse ciclo de vida de sete anos vai pegar todo o mercado brasileiro. Essa é a nossa preocupação, de que esse ciclo de vida de sete anos passaria a pegar 100% do mercado de consumo, dos veículos das classes A a E. O fato é que as montadoras tem que começar a se atentar para esse ponto.”

O Ministério da Justiça já identificou 4.267.050 carros vendidos no país com o equipamento. Mas, até agora, apenas 1.600.935 já foram consertados, o equivalente a 37% do total.

As campanhas de recall começaram em 2013 e vêm apresentando baixos índices de atendimento. Desde 2016, a quantidade de carros consertados diminui ano após ano. Devido à pandemia, o volume de carros atendidos em 2020 foi o menor já registrado. Dos 301 mil carros incluídos no chamado no último ano, pouco mais de 1,4 mil compareceram às concessionárias e oficinas autorizadas.

A Senacon não divulgou nenhum tipo de campanha para aumentar os índices de atendimento. Mas, conta com uma nova regra que registra a falta de conserto no Certificado de Registro do veículo e com uma parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados para enviar comunicados aos motoristas.

O policial militar Tiago Ferreira foi a primeira vítima do defeito no país. Em 2018, ele sofreu um acidente em baixa velocidade, mas o airbag rompeu, causando lesões graves.

“Eu estava indo trabalhar e o carro da frente brecou de vez e eu não consegui frear também. Não foi uma batida muito forte, mas o suficiente para poder acionar o airbag. Eu senti uma explosão muito forte e eu fiquei surdo por um momento. Naquele momento, a gente pensou que eu tivesse tomado um tiro, só que o ferimento era muito grande. Um tiro não faz isso.”, relembra Tiago. 

O carro de Tiago fazia parte do recall desde 2015. Ele foi comprado como seminovo e o policial afirma que não soube do defeito antes do acidente.

Casos como esse são os que mais preocupam a Senacon, já que a transferência de carros usados entre diferentes donos dificulta a comunicação.

Mas, as montadoras seguem sendo as responsáveis pelo risco, mesmo depois que o recall é comunicado.

Todos esses airbags foram produzidos pela empresa japonesa Takata, que chegou a ter três fábricas no Brasil e uma no Uruguai. O avanço da empresa no país ganhou força no início dos anos 2000, quando os airbags duplos se tornaram obrigatórios.

A empresa chegou a dominar cerca de 50% do mercado nacional. Com o desgaste global e um prejuízo que chegou a ser estimado em US$ 10 bilhões, a Takata decretou falência e transferiu parte de suas operações para outras empresas. 

Hoje, já completamente recuperado, o policial militar Tiago Ferreira faz um alerta a quem ainda não levou o carro para o conserto:

“Eu acho que mais pessoas podem passar por isso. Eu acredito que a maioria ainda não sabe, como eu também não sabia, e esse problema só está se agravando durante o tempo. Nosso país é tropical, bastante calor, e esse airbag acaba se alterando. Se você está escutando, corra, vá fazer o recall, troque esse airbag e não passe pelo que eu passei.”

Para saber se o seu carro está envolvido no recall, acesse a página de recall no site da fabricante do veículo e busque pelo número do chassi do seu carro.


CONFIRA A LISTA DE MODELOS CONVOCADOS PARA RECALL https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/327771/mais-de-25-milhoes-de-carros-circulam-no-pais-com-.htm

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