27 maio, 2022

Fenabrave vê recuperação das vendas em novembro

Balanço da entidade aponta alta mensal de 7,3% nos emplacamentos de veículos leves

Apesar do cenário de mercado reprimido pela produção de veículos abaixo da demanda, a Fenabrave, associação que reúne os distribuidores autorizados de veículos no País, entende que os volumes de vendas estão em ritmo de recuperação do crescimento. A entidade divulgou na quinta-feira, 2, seu balanço consolidado de emplacamentos com resultados de novembro e do acumulado de 11 meses de 2021. 

Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, avalia que o pequeno crescimento nos emplacamentos de veículos leves em novembro (161 mil unidades), de 7,3% em relação ao baixo volume de outubro (150 mil), foi um bom resultado diante das dificuldades impostas pela falta de componentes eletrônicos, sinalizando que a indústria está se esforçando para acelerar a produção e aumentar o abastecimento das concessionárias no último mês do ano.

“O setor reagiu em novembro. Dados os desafios enfrentados nos últimos meses, como a crise de abastecimento global de semicondutores e alta de juros no País, penso que foi um ótimo desempenho, ainda que sobre uma base comparativa baixa”, analisa Alarico Assumpção Jr.

O total de veículos leves emplacados em novembro ainda está 24,8% abaixo do registrado no mesmo mês de 2020, quando a indústria começou a se recuperar da pandemia de coronavírus que meses antes havia interrompido totalmente a produção nas fábricas. O desempenho atual demonstra, portanto, que a falta de chips está fazendo mais estragos ao mercado do que fez a Covid-19.

No acumulado de 11 meses foram emplacados 1,78 milhão de automóveis e comerciais leves no País, volume apenas 3,6% superior ao verificado no mesmo intervalo do ano passado. Com isso, parece difícil atingir a projeção da Fenabrave revisada em setembro passado, que estima a venda de 2 milhões de veículos leves em 2021, pois seria necessário vender 220 mil unidade somente em dezembro, volume que não foi alcançado em nenhum mês deste ano.

“A disponibilidade de veículos tem modulado o ritmo desses segmentos (automóveis e comerciais leves), mas oferta e aprovação de crédito continuam em bons patamares”, destaca Assumpção Jr. Mas ele lembra que as altas recentes nas taxas de juros podem impactar os financiamentos e, consequentemente, os emplacamentos nos próximos meses.

Expansão de comerciais leves indica migração para picapes

Em novembro o mercado de comerciais leves continuou a se expandir em ritmo bastante acima dos automóveis. Os emplacamentos de 35 mil utilitários correspondem a crescimento de 14% sobre outubro e queda de 4,4% em relação ao mesmo mês de 2020. Já o segmento de carros avançou bem menos, 5,6% na comparação com o mês anterior, e teve retração expressiva de 29% ante igual mês do ano passado. 

Ao contrário do que se poderia supor, não é o aumento de entregas urbanas com pequenos furgões comerciais de carga que está puxando a alta nas vendas de utilitários, mas as picapes pequenas e médias. As 10 mais vendidas do mercado somaram quase 30 mil emplacamentos em novembro, ou cerca de 84% das vendas de 35 mil utilitários no mês. 

Como a maioria das picapes vendidas no País é utilizada para uso particular de transporte individual ou familiar, o desempenho sugere a migração de clientes de automóveis para o segmento de comerciais leves, que engloba as picapes.

Apenas as duas picapes mais vendidas em novembro, as Fiat Strada e Toro, quase todas para uso particular familiar, somaram 14,5 mil emplacamentos no mês, o equivalente a 41,4% do segmento de comerciais leves. Esse índice sobe para 50% quando se juntam outras duas picapes compactas, Volkswagen Saveiro e Renault Oroch, que também estão na lista das 10 mais vendidas.

As outras seis picapes da lista são de porte médio (podem até ser consideradas grandes para o Brasil), muitas têm atributos de carros de luxo e custam acima de R$ 200 mil. Pela ordem de mais vendidas, Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger, Mitsubishi L200, Nissan Frontier e Volkswagen Amarok somaram pouco mais de 12 mil emplacamentos em novembro, equivalente a quase 35% do mercado de utilitários leves. 

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