23 abril, 2024

Os 5 grandes fatos que marcaram o setor automotivo em 2023

Brigas entre montadoras e socorro do governo para aquecer vendas: ano teve tudo isso e mais um pouco

Vivemos os últimos estertores de 2023, um ano que marcou, em muitos aspectos, o setor automotivo nacional – para o bem e para o mal.

Na parte cheia do copo, vimos ao longo dos meses alguns marcos que representaram avanços na indústria, muitos deles ligados ao processo inevitável e sem volta da descarbonização da frota.

Na parte vazia, porém, tentativas paliativas de aquecer o mercado interno e problemas no fluxo produtivo afetaram a indústria em termos comerciais e também na manufatura.

Relembre 5 fatos marcantes para o setor automotivo em 2023


1. A volta do MDIC e o papo com o governo

Em linhas gerais, um dos grandes fatos no setor automotivo em 2023 foi a volta do Ministério da Indústria, Desenvolvimento, Comércio e Serviços (MDIC), extinto pela administração pública entre 2019 e 2022.

O retorno da pasta foi comemorado pelas montadoras como uma grande vitória, uma vez que era praticamente consenso entre elas que as fabricantes de veículos haviam perdido interlocução com o governo federal.

Uma vez reestabelecido o ministério, sob o comando do também vice-presidente Geraldo Alckmin, pautas consideradas estratégicas pela indústria voltaram a ter visibilidade em Brasília (DF).

2. A novela Regime Automotivo do Nordeste

Dentre elas, outro dos grandes capítulos do setor em 2023, no caso, a prorrogação dos incentivos concedidos pelos regimes automotivos do Nordeste e do Centro-Oeste.

Capítulo que se encerrou na última sexta-feira, 15, após meses de embates entre a coalisão de montadoras do eixo Sul-Sudeste e empresas instaladas no Nordeste, uma frente liderada quase que exclusivamente pela Stellantis.

A batalha, que começou no campo da ideias e chegou a figurar também em espaços publicitários de jornais, terminou com um final feliz para a montadora líder do mercado nacional, que poderá continuar usufruindo dos incentivos fiscais até 2032.

3. Quando o governo socorreu e patrocinou as montadoras

Outra grande pauta defendida pelo setor, que também virou relevante capítulo neste ano, foi o programa de socorro às montadoras criado pelo governo federal para aquecer as vendas de veículos novos no país.

O programa, que começou camuflado de volta do carro popular, e que terminou como uma ferramenta de aquecimento artifical do mercado, redundou no melhor mês de vendas de automóveis do ano, no caso, julho.

Enquanto era desenhado pelo governo, muitas montadoras imprimiam fortes ajustes em suas linhas de produção sob o argumento de que era preciso deixar os seus estoques do tamanho da demanda real por veículos 0 km vista no mercado.

4. O ano em que a produção de veículos oscilou

O resultado da medida foi uma série de paradas de produção, redução de turnos, aplicação de férias coletivas e suspensão dos contratos de trabalho em muitas fábricas.

O quadro acabou, de certa forma, ajudando as montadoras. As fabricantes aproveitaram para reforçar o discurso de que era preciso fazer algo pelas vendas no mercado doméstico via poder público.

O cenário também mostrou que o Brasil hoje tem um parque industrial muito menor na comparação com a capacidade produtiva de anos atrás. A demanda menor também puxou para baixo o poder de produção, o menor dos últimos 11 anos.

A baixa demanda no mercado de caminhões acentuou essa ociosidade nas fábricas, assim como o volume cada vez menor de exportações registrados no Brasil.

5. Ofensiva de veículos elétricos chineses ganha força

Afora as questões clássicas que contribuem para a falta de competitividade do veículo Made in Brazil no exterior, uma espécie de ofensiva chinesa também fez com que o veículo nacional perdesse participação nos mercados vizinhos.

Essa ofensiva chinesa – em produtos e em preço – marcou também o ano de 2023. Sobretudo com a decisão de mais uma montadora com matriz na China, a BYD, de produzir localmente veículos eletrificados, se juntando à Great Wall Motors (GWM).

Mas a oferta de veículos elétricos nao ficará restrita apenas às fábricas das empresas chinesas no Brasil. Este 2023 também foi o ano em que outros nomes da indústria nacional apresentaram os seus planos no segmento.

A Stellantis mostrou ao mercado a sua gama de plataformas eletrificadas, por meio das quais serão produzidos modelos híbridos e até 100% elétricos.

A Volkswagen ainda mantém a sua plataforma oculta por trás do biombo corporativo. Porém, a marca alemã já deu sinais de que uma aposta forte em modelos híbridos movidos a etanol está em seu horizonte.

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